Justiça à Brasileira: Carmem Lúcia e a “Bolsa Moradia”

mrvada-crne-faceDia após dia, o noticiário comprova que os membros da elite que comanda o sistema judiciário brasileiro ignoram e confrontam as leis, especialmente quando se referem a questões relacionadas aos membros da corporação, como comprovam a postura de ignorar e burlar as decisões sobre o valor do teto constitucional das remunerações e benefícios concedidos aos servidores públicos, como por exemplo, o “auxílio moradia”.

auxiliomoradia2Esta postura e as práticas decorrentes colocam em cheque (e desmoralizam) o discurso recentemente proferido pela atual Presidenta do STF, Ministra Carmem Lúcia que na cerimônia anual de abertura dos trabalhos da mais alta côrte do sistema judiciário brasileiro, ladeada pelos atuais “grandes e impolutos” comandantes dos poderes executivo e legislativo nacional, sem citar fatos ou nominar pessoas, criticou e buscou intimidar a ação de cidadãos brasileiros que atualmente questionam a imparcialidade do judiciário e as arbitrariedades cometidas por membros da “corporação político/judiciária” que comanda.

Infelizmente (para ela e seus asseclas) a fragilidade dos argumentos, os “grotescos atores” que co-estrelaram o espetáculo e o cenário inapropriado escolhido para o lançamento da “peça” tiveram um efeito contrário ao pretendido pela Ministra, como confirmam a maioria dos comentários e as reações provocadas nas redes sociais e as notícias  fartamente estampadas nos meios de comunicação, até mesmo nos considerados “aliados”.

Finalmente, merece registro que o tal “discurso” de Carmem repercutiu internacionalmente, consolidando também no exterior o conteúdo das denúncias de que o país é hoje governado por uma “quadrilha de golpistas”, com total apoio de uma maioria de políticos corruptos que comandam o legislativo nacional, dos não menos corruptos proprietários dos grandes veículos de comunicação e, com, as “bençãos” e blindagem que lhes é garantida pelos comandantes do Poder Judiciário, que se ainda não se pode afirmar serem também corruptos, continuam comprovadamente mantendo seus imorais privilégios através de benefícios ilegais.

Benefícios que registre-se confrontam decisões judiciais e desmoralizam a Justiça. Mas que ao que tudo indica fazem parte daqueles fatos e daquelas verdades que como dizem os lavajateiros: “Não vem ao caso…”

Sobre o tema vale a pena ler a matéria publicada na edição de hoje do “isento e imparcial” jornal Folha de São Paulo.

Confiram:

DESEMBARGADOR DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO CONTINUA RECEBENDO AUXÍLIO-MORADIA MESMO SENDO COMPROVADAMENTE PROPRIETÁRIO DE 60 IMÓVEIS NA CIDADE
desembargador
O desembargador José Antonio de Paula Santos Neto, do Tribunal de Justiça, possui 60 imóveis em seu nome.

Levantamento da Folha de S.Paulo publicado neste domingo 4 aponta que metade dos juízes que ganham auxílio-moradia em São Paulo tem imóvel; José Antonio de Paula Santos Neto (foto) tem 60 imóveis na cidade e recebe o benefício.

O campeão, desembargador José Antonio de Paula Santos Neto, do Tribunal de Justiça, possui 60 imóveis em seu nome. Ao jornal, ele diz que receber o benefício não é o ideal, mas na linha da argumentação do juiz Sergio Moro, defende melhor remuneração e reajuste para os magistrados.

“Eu acho que não é o ideal, deveria haver, isso sim, um salário condigno, proporcional à responsabilidade do magistrado e que pudesse então remunerar sem essas denominações que acabam gerando dúvidas na população, que pensa: se a pessoa tem imóveis, por que receber um auxílio-moradia?”, diz. Ele afirma ainda que seu patrimônio é fruto de herança que recebeu dos pais.

Dos 2.275 juízes atuando na cidade de São Paulo, considerando a Justiça estadual, federal, do trabalho e militar, 30% (680) recebem os R$ 4.378 mensais de auxílio-moradia mesmo tendo imóvel na capital.

Considerando apenas o universo de juízes que recebem o auxílio, 43% possuem imóvel na capital. Os dados apontam ainda que 215 desses magistrados têm mais de um imóvel em seu nome.

2 comentários em “Justiça à Brasileira: Carmem Lúcia e a “Bolsa Moradia”

  1. Ditadura do judiciário: O que fazer, agora?
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2018/01/31/ditadura-do-judiciario-o-que-fazer-agora/

    …O impeachment era, portanto, insisto na tese, o ponto de partida do golpe, que logo se materializou pela imediata entrega do petróleo do pré-sal às multinacionais concorrentes da Petrobras e adversárias de nossa autonomia energética, pelo desmonte do Estado e pelas ‘reformas’, com destaque para a revogação dos direitos trabalhistas, que remontam ao varguismo.

    O ex-ministro Roberto Amaral descreve a ditadura do judiciário como a mais perversa das ditaduras porque não há a quem recorrer …

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