Livro sobre Golpe Civil Militar de 64 é censurado em Piracicaba

piracicaba-nos-tempos-da-ditadura-3442Nas próximas semanas, Piracicaba deveria estar recebendo um livro que reconta em detalhes o que a cidade viveu a partir de março de 1964, por ocasião do golpe militar.

Produzido por um grupo de pesquisadores, jornalistas e pessoas que se debruçaram sobre aquele período, a coletânea começou a ser produzida em agosto do ano passado, em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP).

Em fevereiro passado, quando a publicação já se encontrava finalizada em termos gráficos e editoriais – e inclusive com o ISBN concedido ao próprio IHGP que o solicitara -, pronta para ser impressa, a entidade decidiu-se pela não publicação da obra. A decisão de sua Diretoria Executiva foi comunicada à organizadora da obra, via e-mail, sem quaisquer justificativas.

censuraDiante disso, como autores desta obra coletiva, entendemos ser necessário virmos a público para manifestar nossa surpresa e indignação diante do fato. Censura ideológica? Pressões de alguma ordem? Outros interesses? Diante da inexistência de explicações formais do IHGP, perguntas como estas, que nos chegam de várias direções, as quais não temos como responder, gostaríamos de reafirmar que:

a – O livro “Piracicaba, 1964-o golpe militar no interior”, apesar do atraso, será publicado a partir da iniciativa independente de seus autores;

b – Passados 50 anos do golpe militar, quando o país se debruça na revisão do que ocorreu naquele período, é ainda mais importante que o debate se estenda às cidades do interior como Piracicaba, onde histórias se acumulam e precisam ser sistematizadas, analisadas e melhor conhecidas;

c – Piracicaba tem o direito de conhecer mais sobre aquilo que permanece, até hoje, pouco analisado daquele período na cidade: prisões, pressões a sindicalistas e professores, o convívio entre empresários e as forças repressivas, a vigilância constante inclusive sobre cidadãos insuspeitos, a denúncia anônima contra religiosos e docentes, a prática da tortura, perfis daqueles que ousaram reagir.

d – Caso você concorde que episódios históricos fundamentais precisam ser recuperados, contados, preservados; que processos históricos conflitantes que dividiram a sociedade, até pelas tensões que provocam, precisam ser vir à luz; que a livre opinião é valor essencial de uma sociedade democrática; caso você concorde que o debate é fundamental à democracia e precisa ser cultivado e incentivado responsavelmente , fortaleça nossa iniciativa divulgando o que ocorreu e colaborando com a captação de fundos para a publicação, acessando o site de financiamentos coletivos e fazendo sua doação. Clique aquipara acessar o site da campanha.

e – O lançamento do livro está previsto para maio.

Piracicaba, abril de 2014.

Beatriz Vicentini (Organizadora), jornalista, menções honrosas do Prêmio Vladimir Herzog (1998 e 2013), menção honrosa do Prêmio Esso (1998), vários livros publicados, assessora de imprensa da Universidade Metodista de Piracicaba entre 1979 e 2006.

Caio Albuquerque, jornalista, mestre em Comunicação Social pela UNESP.

Ely Eser Barreto César, doutor em Teologia pela Emory University , vice reitor da UNIMEP entre 1991 e 2002.

Orlando Guimaro Junior, advogado, especialista em Direito Contratual pela PUC-SP.

Otto Dana, padre, doutor em Sociologia pela UNESP, professor aposentado da UNESP, pároco da Catedral de Piracicaba entre 1971 e 2006.

Patrícia Polacow, jornalista, doutora em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo.

Luiz Fernando Amstalden, sociólogo, doutor em Ciências Sociais pela UNICAMP.

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